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Mães em pé com filhos pequenos. Intrusos em um espaço que deveria ser de estudantes. Meninos se acotovelando dentro de um ônibus escolar. Sem nenhum controle, brincam, pulam e se arriscam dentro e fora do coletivo da empresa contratada pela Prefeitura de Araraquara para prestar o serviço no município. Cabe somente ao motorista dirigir e monitorar dezenas de crianças em um caminho muitas vezes marcado pela insegurança até a escola. Essa vem sendo a realidade no conjunto habitacional Romilda Barbieri e suas 538 casas.
“Fomos procuradas por mães de alunos daqui com reclamações bem contundentes sobre o transporte escolar oferecido pela Prefeitura. Viemos dias seguidos no bairro para acompanhar esse cotidiano e observamos uma situação que preocupa”, diz a vereadora Gabriela Palombo (PT), que só aprovou o modelo do micro-ônibus. As queixas, segundo a parlamentar, são diversas e espontâneas. “A qualidade dos ônibus é outro ponto a ser questionado. Acho que a Paraty, empresa que tem a terceirização das linhas, poderia garantir um serviço melhor.” Por isso, a parlamentar está pedindo uma série de informações ao Executivo como uma cópia do contrato do transporte escolar, além dos valores pagos mensalmente e anualmente, o numero de veículos disponibilizados, as licenças e o quadro de alunos atendidos. “A impressão é que com o valor investido seria possível oferecer um produto com mais qualidade.” A vereadora pediu, ainda, um empenho da Secretaria Municipal da Educação na tentativa de forçar a identificação dos ônibus minimizando a reclamação dos usuários.
Para ela, o fato dos coletivos ligados ao transporte escolar e a linha regular chegarem praticamente no mesmo ponto aumenta a insegurança. Outro questionamento é referente a falta de identificação do destino do ônibus. “Já aconteceu de alunos pegarem errado e precisarem voltar perdendo a aula. Se melhorar ajudará também os motoristas e deixará nós, mães, mais tranquilas”, sugere Milena. “É como se estivéssemos sido jogados aqui. Algo como: você já ganharam a casa e o resto, se virem.”
Com receio devido ao número excessivo de estudantes dentro de alguns ônibus e a falta de controle dentro dos veículos, a dona-de-casa Milena Fernanda Rocha tema integridade dos filhos. Ela tem um casal, uma menina de oito anos e um garoto de cinco anos. “Tem crianças misturada com adolescentes. Uns até sobem nos ônibus arriscando a vida”, conta Milena, enquanto um menino pendura-se na porta com o ônibus em movimento.
A dona de casa Natália da Silva Prado reclama da lotação do ônibus que transporta o filho dela de cinco anos. “Principalmente na volta precisamos voltar a pé porque tem gente que nem é estudante e pega carona. Nós, mães, não temos onde sentar.” Pai de um menino de oito anos, o operador de empilhadeira José Marcondes Santana dos Santos optou por não usar o transporte devido a lotação. “A gente tem medo de acontecer alguma coisa com ele, por isso estamos levando na escola. Eu a mãe dele nos organizamos para levar e buscar.” Em uma região da cidade composta por pouco mais de mil casas populares, as reclamações se multiplicam. “Eu tenho duas filhas, uma de um ano e sete meses e outra de nove anos. O transporte escolar da creche vai superlotado mesmo. As mães e as crianças pequenas vão em pé. No caso das mais velhas como não tem monitor acidentes, às vezes, acontecem. A minha menina mesmo caiu outro dia no ônibus e apareceu com as costas raladas.”, afirma a também dona-de-casa Gislaine Cristina Marin Oliveira.
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