Notícias



Burnout não se restringe ao trabalho e deve ser enfrentado de forma coletiva

Reflexões foram apresentadas pela psicanalista Thai Batistuti e pela psicóloga Juliana Superbi durante palestra na Câmara

1164


O esgotamento emocional que se origina nas pressões do trabalho não se limita ao ambiente profissional: transborda para a vida afetiva, interfere nas relações familiares e impacta a saúde pública. O burnout atravessa vínculos, fragiliza a convivência e é agravado por uma cultura que individualiza sofrimentos que deveriam ser enfrentados de forma compartilhada.

 

Esse é um resumo das reflexões apresentadas pela psicanalista e professora Thai Batistuti e pela psicóloga Juliana Superbi na palestra “Saúde Mental e Relações Saudáveis: como reconhecer sinais de desgaste emocional em relacionamentos familiares, amorosos e profissionais?”, realizada na noite desta quinta-feira (13) na Câmara Municipal.

 

A atividade encerrou a programação da Semana de Conscientização sobre a Síndrome de Burnout, instituída pela Lei Municipal nº 7.373/2010. O evento foi solicitado pela vereadora Fabi Virgílio (PT), com coorganização de Marcela Reis, ativista em saúde mental no trabalho e idealizadora do movimento (RE)Conecte-se.

 

Relações interpessoais

Thai Batistuti pontuou que o burnout começa, mas não termina, no trabalho. Segundo ela, o esgotamento provocado por pressões profissionais se espraia por toda a vida, afetando os diversos tipos de vínculo: afetivos, familiares, interpessoais e de amizade.

 

Ela observou que, ao chegar nesse nível de desgaste, a pessoa tende a experimentar distanciamento emocional, silenciamento, irritabilidade, impaciência e até queda de libido e afeto — sinais que frequentemente se manifestam primeiro nos relacionamentos mais próximos. “É um esgotamento geral do corpo e da mente, não apenas de uma área da vida”, declarou.

 

Thai reforçou que a recuperação envolve “a oportunidade de mudar”, em um processo de reconexão consigo e com o próprio ritmo. Entre os caminhos possíveis, citou a busca por apoio terapêutico, o reconhecimento das próprias limitações e, sobretudo, a permissão para descansar sem culpa. “Só conseguimos nos reconectar quando admitimos que não damos conta de tudo”, afirmou.

 

Missão coletiva

A psicóloga Juliana Superbi retomou os impactos que ganharam força desde a pandemia, quando trabalho remunerado, tarefas domésticas e cuidados familiares se concentraram dentro de casa — uma sobrecarga que, segundo ela, recaiu com mais intensidade sobre as mulheres.

 

Juliana apontou que, mesmo diante desse cenário de exaustão ampliada, persiste um padrão social que descredibiliza pessoas com burnout e outras formas de sofrimento mental. “Vivemos coletivamente, mas os problemas têm que ser resolvidos individualmente: é sempre cada um por si”, criticou, ao mencionar a cobrança por produtividade e resiliência a qualquer custo.

 

Para ela, ampliar a compreensão sobre saúde mental no trabalho exige deslocar o debate da culpabilização individual para a responsabilidade coletiva. “Precisamos criar a consciência de que estar saudável no ambiente de trabalho é uma missão coletiva”, concluiu.

 

Para ver e rever

A palestra foi transmitida ao vivo e pode ser revista no YouTube e no Facebook.

 

Na segunda-feira (10), Audiência Pública sobre a relação entre capitalismo e saúde mental, dentro da programação da Semana, havia sido realizada na Câmara.


Publicado em: 14 de novembro de 2025

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

‘Eu não opinaria por uma privatização ou concessão’, diz superintendente do Daae na Câmara

08 de maio de 2026

Após ser convocado pelos vereadores, o superintendente do Departamento Autônomo de Água e Esgotos de Araraquara (Daae), Wilian Thomaz Marega, prestou esclarecimentos em Sessão Extraordinária realiz...



Qualidade no atendimento e falta de farmácia na USF do Jardim Brasil são temas de Requerimento

08 de maio de 2026

O funcionamento da Unidade de Saúde da Família (USF) do Jardim Brasil é o foco do Requerimento nº 1047/2026, enviado pelo vereador Coronel Prado (Novo) à Prefeitura.   Segundo o parlamentar, muní...



Reforma do CER ‘Antônio Tavares Pereira Lima’ não tem previsão de início

08 de maio de 2026

Existem dois projetos para a reforma do Centro de Educação e Recreação (CER) “Antônio Tavares Pereira Lima”, no Jardim Pinheiros, mas a obra ainda não tem previsão de início. A execução depende da...



Agenda Esportiva – 08/05

08 de maio de 2026

Categorias de base Pela 2ª rodada do Paulista Sub-15, a Ferroviária enfrenta o Rio Claro neste sábado (9), às 9 horas, no Estádio Dr. Augusto Schimidt Filho. O confronto se repete no mesmo estádio...



Oficina de Graffiti

08 de maio de 2026

Estão abertas, até 1º de junho, as inscrições para a “Oficina de Graffiti para Mulheres”, oferecida pelo coletivo Beverly Crew. O curso é gratuito e conta com 30 vagas. O início das atividades está...



‘Visão para Inclusão’

08 de maio de 2026

Os participantes do projeto “Visão para Inclusão”, realizado em Araraquara por meio de parceria entre a Rede Brasileira de Desenvolvimento Social (RBDS) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!