1147
Grupo de trabalho formado por vereadores, Poder Executivo e sociedade civil debaterá possibilidades de ajustes e modificações no projeto que prevê a implementação, em Araraquara, do chamado IPTU Progressivo no Tempo. Esta foi uma das decisões tomadas durante Audiência Pública sobre o tema realizada na noite desta quinta-feira (6) no Plenário da Câmara.
O Substitutivo nº 1 ao Projeto de Lei Complementar nº 2/2025 define regras para a aplicação do Programa de Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (PPEUC), também chamado de IPTU Progressivo no Tempo, previsto no Plano Diretor de Desenvolvimento e Política Ambiental de Araraquara. A autoria é de Guilherme Bianco (PCdoB), Alcindo Sabino (PT) e Aluisio Boi (MDB).
Além dos três parlamentares, compuseram a mesa do evento a secretária municipal de Desenvolvimento Urbano, Priscila Vasques Crepaldi, e o procurador fiscal e tributário na Procuradoria-Geral do Município de Araraquara, Vinicius Manaia Nunes.
No evento, foram apresentados os objetivos e as características do projeto. Também houve sugestões de mudanças e discussões a respeito do assunto.
O projeto
O Substitutivo nº 1 ao Projeto de Lei Complementar nº 2/2025 estabelece critérios para identificar terrenos e glebas não edificados, subutilizados ou não utilizados, localizados em Zonas Especiais Mistas (Zoemi) e áreas de interesse urbano com mais de 10 mil metros quadrados:
A proposta determina que o Município, mediante procedimento administrativo de ofício ou provocação, poderá notificar o proprietário para exigir o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsória do imóvel. Os prazos são os seguintes:
Em caso de descumprimento, o Município aplicará alíquotas progressivas do IPTU pelo prazo de até cinco anos consecutivos: 3% no 1º ano; 6% no 2º; 9% no 3º; 12% no 4º; e 15% no 5º ano, mantendo-se a alíquota máxima enquanto a obrigação não for cumprida.
Estão dispensados das obrigações de parcelamento, edificação ou utilização compulsórios os imóveis previstos no art. 157 do Plano Diretor e aqueles utilizados em atividades que não exigem construção, como estações aduaneiras, terminais de logística, transportadoras, garagens, depósitos de materiais a céu aberto, pátios de manobra, áreas de estacionamento vinculadas a outros empreendimentos, linhas de transmissão e instalações industriais. Também ficam excluídos os terrenos sujeitos a inundações, os imóveis tombados e os lotes classificados tecnicamente como “non aedificandi” (não edificante – onde não se pode construir).
Audiência Pública: apresentação de objetivos e sugestões
Segundo Bianco, a proposta tem os objetivos de conferir justiça tributária e repensar a disposição da cidade. Para isso, o projeto busca combater a especulação imobiliária, que, na visão do vereador, é uma questão histórica que leva a população mais pobre e vulnerável para longe da região central.
“Isso impacta não só diretamente a vida dessas pessoas, mas também dificulta para a máquina estatal chegar ao bairro, pois quem mora perto do Centro já tem toda a estrutura próxima”, analisou.
Na avaliação de Priscila Vasques Crepaldi, secretária de Desenvolvimento Urbano de Araraquara, o projeto é “excepcional” por estar amparado em previsão legal e por tocar em pontos políticos sensíveis, como o histórico de especulação imobiliária.
A titular da pasta, contudo, apresentou sugestões de melhorias e ajustes, como detalhes em desacordo com outras leis. Também comentou sobre a oportunidade de expandir as discussões e elegeu como “prioridade zero” o debate sobre a revisão do Plano Diretor, já que o atual é de 2014.
Priscila informou que a Prefeitura iniciará um levantamento da cidade, com imagens aéreas, cadastros e dados de geolocalização, para promover um planejamento. “Teremos dados fidedignos para fazer propostas. Conseguiremos identificar a realidade dos imóveis e trazer mais contribuições para enriquecer este instrumento”, declarou.
“Fica a pergunta se este projeto não deveria estar associado ao processo do Plano Diretor, com mais riqueza de detalhes, para que consigamos ser justos, fazer justiça fiscal e justiça social e um planejamento mais responsável”, ponderou.
O procurador Vinicius Manaia Nunes salientou que o IPTU Progressivo no Tempo tem previsão constitucional e não tem objetivo arrecadatório, mas almeja propiciar a função social da propriedade.
Quem também frisou que o cerne do texto não é financeiro, mas de gestão, foi Luciana Márcia Gonçalves, secretária de Desenvolvimento Urbano de Araraquara em 2017 e 2018 e professora na área de arquitetura e urbanismo na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
A docente acrescentou que o tema foi negligenciado ao longo do tempo e que devem ser levantados dados sobre os imóveis para que critérios técnicos sejam adotados. “A localização de um imóvel pode interessar mais do que a metragem”, exemplificou.
Para rever
A Audiência Pública foi transmitida ao vivo e pode ser revista no YouTube e no Facebook da Câmara.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
A 48ª Sessão Ordinária da Câmara de Araraquara, nesta terça (3), teve aprovação de projetos que tratam de assuntos como Plano Diretor, desenvolvimento econômico, criação de políticas públicas...
Atletas da Fundesport Araraquara tiveram grande destaque no I Campeonato Sul-Americano Master de Karatê, realizado no Ceará entre os dias 28 e 31 de janeiro de 2026, em competição promovida pela Co...
Em Indicação encaminhada recentemente à Prefeitura, o vereador Alcindo Sabino (PT) solicita melhorias na iluminação pública da Praça do Socorro, localizada na Rua Francisco Mazzei, no entorno do po...
O Centro de Referência do Idoso de Araraquara (Cria) “José Quitério” precisa de manutenção estrutural e contratação de profissionais, além de melhorias na sinalização no entorno e no acesso ao loca...
Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira (2), no Plenário da Câmara Municipal de Araraquara, os vereadores que compõem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) – Assédio no Serviço Público d...
A Câmara realiza na próxima segunda-feira (9), às 18h30, no Plenário do Legislativo, uma Audiência Pública que definirá os integrantes da Câmara Técnica que irá estudar a viabilidade e propor medid...

O conteúdo do Portal da Câmara Municipal de Araraquara pode ser traduzido para a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) através da plataforma VLibras.
Clique aqui (ou acesse diretamente no endereço - https://www.vlibras.gov.br/) e utilize a plataforma.