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A política racial no município de Araraquara foi o tema da conferência de abertura do evento “Da abolição ao reconhecimento”, proferida pelo professor Dr. Dagoberto José Fonseca, da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp Araraquara (FCLAr), no Plenário da Câmara Municipal, na noite da quarta-feira (3).
O coordenador executivo de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiz Fernando Costa de Andrade, deu início ao debate destacando “a importância de trazermos essa discussão neste mês de maio que é celebrada a assinatura da Lei Áurea”.
“Esse momento é bom para pensarmos um pouco sobre o que significa política pública”, enfatizou Fonseca. “Na década de 1990, avançamos muito na questão social, quando o IBGE, na metade da década de 1980, começou a definir a questão da cor, que não é uma questão irrelevante. Quesito cor na saúde era fundamental. As políticas voltadas para a cor foram importantes para que a comunidade negra fosse vista, possibilitando também discutirmos a política de cotas”, completou. O professor lembrou a necessidade de uma política pública efetiva que atenda as mulheres negras. “Precisamos de um conjunto de políticas na área da saúde. Temos que entender as demandas do nosso município e saber o que queremos, construir uma justiça social.”
A secretária de Planejamento e Participação Popular, Juliana Agatte, fez questão de lembrar as diversas atividades que serão realizadas no mês de maio para discutir o tema. “Temos um papel importante na questão da justiça social. Estamos fazendo um levantamento para entendermos o recorte do nosso município e definirmos as diretrizes das políticas públicas da nossa cidade para garantirmos as mesmas condições de acesso a todos.”
Representando a Câmara Municipal, a vereadora Thainara Faria (PT) mencionou a necessidade de participação de toda a sociedade no processo de mudança. “Precisamos agir e nos responsabilizarmos – Legislativo, Executivo e cidadãos civis – para sermos agentes das mudanças que queremos para a nossa cidade.”
Organizado pela Coordenadoria Executiva de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) e pelo Centro de Referência Afro Mestre Jorge, o evento tem o objetivo de repensar, discutir e propor diferentes disposições para o enfrentamento ao racismo, durante o mês de maio, já que o dia 13 deste mês celebra a data em que foi assinada a Lei Áurea, em 1888, extinguindo o regime de escravização do negro no Brasil.
O evento terá continuidade na manhã da próxima quinta-feira (4) com a Mesa Redonda “Democracia, Justiça e Representação: o papel e a responsabilidade cultural-política da municipalidade araraquarense”. Estarão presentes Sérgio Luiz Souza, da Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir), falando sobre o tema “Direitos, Patrimônio Histórico-cultural e Sociedade: sobre a superação da invisibilidade social e outras violações contra os povos no Brasil”, e Luiz Fernando Costa de Andrade, coordenador executivo de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/ Centro de Referência “Mestre Jorge”, abordando “Desafios para a construção de um projeto nacional: interpretações sobre o ideal de 2ª abolição”.
Também estavam no Plenário o vereador Elias Chediek (PMDB), a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Eloisa Mortatti, e a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Amanda Vizoná.
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