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Há mais de 100 milhões de anos, a região onde hoje se localiza Araraquara era habitada por dinossauros e grandes mamíferos, que deixaram suas marcas impressas em fósseis. Atualmente, elas fazem parte das pedras que compõem algumas das calçadas mais antigas da cidade, em bairros como Vila Xavier, São José, Carmo e Centro expandido. Pouca gente sabe, mas Araraquara destaca-se no mundo da Paleontologia, a ciência que estuda formas de vida em períodos geológicos passados, por possuir uma grande quantidade de fósseis nas pedras do chamado arenito Botucatu, que formavam, até recentemente, a maior parte do calçamento da cidade.
Preocupada com a preservação desse patrimônio paleontológico, a vereadora Juliana Damus (PP) procurou a secretária de Cultura, Teresa Telarolli, na última quarta-feira (13), para sugerir modos de conservação desses vestígios. “Muitas pessoas, ao reformarem suas casas, mudam o calçamento e descartam as lajes, sem saberem que podem estar jogando fora registros históricos de milhões de anos”, explica a vereadora. “Minha intenção é propor que os munícipes, antes de alterarem as calçadas, avisem a Prefeitura para saber se há ou não interesse em preservar essas lajes.” Juliana já vinha discutindo a ideia com o pesquisador Marcelo Adorna Fernandes. A vereadora também recebeu contribuições do historiador Rogério Belmiro Tampellini, que apresentou uma sugestão na mesma linha na Tribuna Popular da Câmara Municipal. Juliana pretende apresentar o projeto de lei ainda este ano. A reunião com a secretária de Cultura teve como objetivo determinar se há interesse na questão por parte do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Paleontológico, Etnográfico, Arquivístico, Bibliográfico, Cultural e Ambiental do Município de Araraquara (Compphara). Teresa Telarolli mostrou-se entusiasmada com a perspectiva. “Temos, realmente, muitos vestígios em Araraquara, que até já foram citados em livros. Há pessoas que vêm à cidade só para conhecer as nossas pegadas de dinossauros”, informa a secretária. Além de concordar com a sugestão de Juliana, ela sugere outras possibilidades, como manter “janelas” para visualizar as pegadas na própria calçada, se o proprietário concordar, em composição com o novo calçamento. As propostas serão levadas ao Compphara para aprofundamento, antes da formalização do projeto de lei.
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