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O adeus a Deodata do Amaral; ex-vereadora faleceu no sábado (16)



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A ex-vereadora por quatro mandatos consecutivos e secretária da promoção social do município, Deodata Leopoldina Toledo do Amaral, faleceu na manhã do sábado (16), aos 84 anos. Seu corpo foi velado no saguão da Câmara Municipal de Araraquara e o sepultamento ocorreu na manhã do domingo, às 9 horas, no Cemitério São Bento.

 

Deodata tem o retrospecto de ter o maior número de votos em toda a história das eleições de Araraquara, para um candidato a uma cadeira na Câmara Municipal, ao receber 4.035 votos, número ainda não superado até hoje, e obtido em um colégio eleitoral menor que o atual.

 

Mutirão por água e esgoto

Nascida na cidade de Cravinhos, região de Ribeirão Preto, no dia 06 de agosto de 1929, Deodata foi uma das pioneiras na luta pelos direitos das mulheres. Mudou-se aos 7 anos para Araraquara, foi estudante interna do Colégio Progresso, trabalhou na Companhia Estrada de Ferro Araraquara, porém, foi como visitadora de Saúde Pública do Serviço Especial de Saúde (Sesa), trabalho exercido do ano de 1954 a 1978, que Deodata conheceu todas as regiões da cidade, seus pontos mais carentes de atendimento público, orientando a população sobre os cuidados mais fundamentais com a saúde e a higiene. Por sua iniciativa, o poder público realizou mutirões para levar redes de água e esgoto aos bairros da periferia da cidade.

 

Campeã de votos e de solidariedade

No ano de 1983 assumiu seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Araraquara, eleita com 1.137 votos. Em 1989 o segundo, com 3.428 votos, sendo a mais votada. No ano de 1993, o terceiro mandato, com 1.537. Exerceu a função de Secretária da Promoção Social, no governo do prefeito Roberto Massafera. Não concorreu a vereadora para o mandato iniciado em 1996, pois, foi candidata a vice-prefeita, na chapa de Marcelo Barbieri, atual prefeito. Deodata retornou à Câmara no ano de 2001, quando obteve o maior número de votos para um vereador na história de Araraquara: 4.035 votos. Em 2002 recebeu 33.566 mil votos como candidata a Deputada Estadual, ficando na segunda suplência. Poderia ter tido um quinto mandato, iniciado no ano de 2005, porém não conseguiu ser eleita, mesmo obtendo 2.002 votos; foi sacrificada pelo modelo de coligações partidárias. Em 21 de abril de 2002 foi condecorada com a Medalha da Inconfidência, conferida pelo então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, pela sua atuação na área política.

 

Família

Deodata deixa viúvo Vagner Amaral, com quem teve 4 filhos: José Luiz (já falecido), Luiz Augusto, Sílvia e Lúcia. Deixa ainda noras, genros, netos. O filho José Luiz faleceu em setembro de 2009. Engenheiro José Luiz Toledo do Amaral foi servidor de carreira aposentado da prefeitura de Araraquara, diretor do Departamento de Obras e teve papel desatacado no governo do ex-prefeito Waldemar De Santi.

 

Manifestação do presidente da Câmara, vereador João Farias

Deodata sempre teve muita energia para trabalhar e lutar contra as desigualdades, mesmo quando ainda não havia iniciado sua vida política. Contestadora, atraiu o poder público da cidade para corrigir as injustiças de deixar bairros inteiros, como o Jardim das Estações e o Parque das Laranjeiras, sem redes de água e esgoto. Se isso é inaceitável nos dias de hoje, já o era para Deodata nos anos de 1970. Em que pese atuar num mundo político dominado por machistas, durante seus mandatos, não houve quem fosse capaz de enfrentá-la num debate, pois sabia, que com sua voz rouca e forte, e seus fortes argumentos, Deodata desconstruiria qualquer petulante que se atrevesse a enfrentá-la sem bom propósito. Se sua história como servidora pública da saúde é magnifica, também o é a carreira política, haja vista o número de votos recebidos em 2000, o maior da história da Câmara Municipal de Araraquara. Digo que não perdemos, e sim, que Araraquara ganhou ao ter Deodata atuando como vereadora e secretária da promoção social que, nas enchentes, saia de madrugada depois de arrumar lonas e ajudantes para cobrir as casas dos necessitados. Foi um privilégio muito grande ter conhecido esta mulher e sua história de vida pública. Mesmo tendo chegado à Araraquara quando ela estava deixando a carreira política, aprendi logo sobre sua luta por justiça social, e aprendi a admirá-la.

 

Inconfundível chapéu

Uma das lembranças que ficam do cotidiano de Deodata é a presença de um inconfundível chapéu, que sempre usava quando saia ao sol ou na chuva para seu trabalho social em socorro de pessoas necessitadas. O “chapéu de Deodata” foi por ela doado à Apae. A prenda rendeu um bom dinheiro, arrecadado num leilão.     dEODATA


Publicado em: 16 de novembro de 2013

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Categoria: Câmara

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