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Encerrando a programação da 3ª Semana Municipal das Mães Atípicas, o Plenário da Câmara recebeu o minicurso “Esgotamento Emocional e o Poder de Dizer Não”, ministrado pela advogada Miriam Paula Ribeiro Nogueira, especialista em Direito dos Autistas e PCDs.
Na abertura do encontro, a vereadora Fabi Virgílio (PT) falou sobre a importância de debater a saúde mental dessas mães, destacando o papel do governo no apoio às famílias atípicas. “A terceira edição da Semana de Mães Atípicas nos faz perceber ainda as necessidades latentes de olhar para a mãe como prioridade dentro da estrutura do Estado. As mães estão adoecidas e elas merecem cuidados, por isso, a gente precisa fortalecer as políticas públicas já existentes e criar novas políticas.”
Em seguida, Miriam iniciou os trabalhos trazendo algumas definições sobre o esgotamento emocional e compartilhando suas experiências com a maternidade atípica. A advogada ainda relembrou momentos em que precisou recalcular a própria rota devido a questões de saúde mental e fez um alerta dizendo que “o esgotamento emocional começa aos poucos”.
Irritabilidade, desânimo constantes, dificuldade de concentração, desconexão emocional, insônia, alterações no apetite e até mesmo perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas são alguns dos sinais que podem ser observados antes mesmo que a exaustão completa se instale totalmente.
Segundo a palestrante, as mulheres costumam ser mais afetadas por essa situação, uma vez que acumulam diversas responsabilidades, que aumentam quando convivem com a maternidade atípica, trazendo sobrecarga de responsabilidades e funções dentro do ambiente familiar.
“Autocuidado não é só skincare”
Miriam também reforçou a necessidade do autocuidado e de pausas, afirmando que isso vai além de uma rotina de tratamento de beleza. “Autocuidado não é só skincare, mas também aprender a estabelecer limites e a dizer ‘não’ quando for preciso.”
Outro problema enfrentado por essas mulheres seria a dificuldade de diferenciar o que é importante e o que é essencial, o que acaba possibilitando a execução de tarefas simultâneas, sem de fato conseguir manter o foco ou a qualidade de um trabalho. Sem saber reconhecer quais são as prioridades, as mães atípicas se sobrecarregam por não conseguirem dizer “não” e, consequentemente, adoecem física e mentalmente.
“Para cuidar de um filho, é preciso ter saúde emocional e entender que você é essencial. Eu escuto muito das mães que ‘eu faço de tudo pelo meu filho, eu morreria pelo meu filho.’ E a questão é: você viveria pelo seu filho? A questão emocional, a questão do peso todo, é justamente essa”, analisou Miriam.
Escrita terapêutica
A prática da escrita terapêutica foi trazida ao público como uma ferramenta de autoconhecimento e autoexpressão que auxiliaria no processo de melhoria da saúde mental e da clareza emocional.
Segundo a advogada, a atividade funciona como um momento de desabafo, no qual a pessoa poderá explorar sentimentos profundos e compreender emoções, já que se torna a oportunidade de escrever sem preocupações com formatos ou estruturas e livre do julgamento alheio.
Por fim, o público presente ao Plenário, formado por mães atípicas e profissionais da educação, fez relatos dos desafios enfrentados no dia a dia e foi convidado a participar de uma dinâmica que demonstrou como o esgotamento mental deixa marcas na vida das pessoas e, por isso, não deve ser negligenciado. Também foram compartilhadas estratégias práticas voltadas para quem tem dificuldades em dizer “não” e acaba se sobrecarregando por assumir responsabilidades que poderiam ser divididas com outras pessoas.
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