Notícias



A Lei Maria da Penha e a violência contra a mulher: dados e debates



603


Edna Martins*

 

A violência contra a mulher é uma constatação frequente em nossa sociedade e, por isso mesmo, seu debate se coloca na ordem do dia. Diversos condicionantes contribuem para dificultar o enfrentamento desta realidade, entre eles encontra-se o fator cultural, influenciando diretamente na configuração das relações de gênero. Observa-se que, nesta esfera, o que prevaleceu foi a ideia do direito estabelecido pela força resultando em homens dominadores e mulheres submissas. A intensificação desta relação acabou por gerar o que assinalamos como a pior de suas consequências: a violência, doméstica e familiar, contra a mulher. Mediante esta observação, reflexões e questionamentos emergem colocando em pauta: a nova legislação sobre os direitos humanos das mulheres e, para além dela, a discussão a respeito da lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, no que se refere ao fato dela ter conseguido alterar positivamente esta realidade. Questiona-se a eficácia prática da nova lei e quais são os seus impactos no processo penal. Este é um debate denso, dada a sua complexidade, uma vez que tal discussão desperta a construção e a necessidade do debate de uma agenda que extrapola a esfera jurídica, dentro da qual a princípio foi gestada. A constatação corrente aponta para o fato de que, não obstante o número de denúncias terem aumentado, os índices de violência contra a mulher, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), não baixaram. Reconhece-se que a falta de capacitação de pessoal e a estrutura deficitária das Varas/Juizados, Deams, Defensorias Públicas, Centros de Referência, Casas Abrigo, também se constitui em um dos entraves no combate à violência contra a mulher. Infelizmente, conforme pesquisa da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da violência (CPMI) constatou que as políticas públicas se mostram ainda ineficientes ou mesmo inexistentes nesta esfera. De acordo com os índices, temos 11 assassinatos diários, sendo 7 deles cometidos por namorado ou ex-namorado, noivo ou ex-noivo, marido ou ex-marido. Segundo o Ipea, 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. Em relação ao homem isso não ocorre. Apenas 6% dos assassinatos de homens são cometidos por uma parceira. Seja como for, nos perguntamos por que mesmo com a criação da lei, há sete anos, a violência contra a mulher no âmbito familiar e doméstico continua em ascensão? Assinalamos que o problema não está somente na Lei, pois a sociedade não é alimentada apenas por estas. A elevação da violência contra mulher é o reflexo de um contexto maior, onde a mesma se insere. Ela representa o diagnóstico de uma realidade difícil, cuja estratégia de enfrentamento compete a nós elaborarmos, uma vez que se verifica a necessidade da adoção de outras medidas voltadas à redução das desigualdades de gênero, enquanto pressuposto da violência contra a mulher.

 

* Socióloga, doutora em Linguística e vereadora pelo Partido Verde na Câmara Municipal de Araraquara


Publicado em: 13 de novembro de 2013

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Em segundo turno, Câmara aprova realização de sessões do Legislativo nos bairros

04 de fevereiro de 2026

Durante a 48ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Araraquara, realizada na terça-feira (3), os vereadores aprovaram em segundo turno o Substitutivo nº 2 à Proposta de Emenda à Lei Orgânica nº 1...



Vereadores aprovam Banco de Ração e Utensílios para Animais

04 de fevereiro de 2026

Durante a 48ª Sessão Ordinária, realizada na terça-feira (3), os vereadores aprovaram o projeto de lei que institui em Araraquara o Banco de Ração e Utensílios para Animais, com o objetivo de capta...



Condições de atendimento do Hospital Oftalmológico da Santa Casa são alvo de questionamentos

04 de fevereiro de 2026

Em Requerimento encaminhado recentemente à Prefeitura, a vereadora Filipa Brunelli (PT) pede informações sobre o funcionamento e as condições de atendimento do Hospital Oftalmológico da Santa Casa...



Quiosques da passarela ‘Orival Ramalho’ são foco de Requerimento

04 de fevereiro de 2026

Um Requerimento enviado à Prefeitura pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Rafael de Angeli (Republicanos), solicita informações sobre os quiosques instalados na passarela “Orival Ramalho”,...



Prazo final (04/02)

04 de fevereiro de 2026

Nesta quarta-feira (04), termina o prazo para inscrições no edital da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundart destinado à contratação de projetos de Oficinas Culturais Municipais para 2026. Ar...



‘Química Verde’ (09/02)

04 de fevereiro de 2026

O Centro de Ciências de Araraquara (CCA) do Instituto de Química (IQ) da Unesp, em parceria com o Museu Catavento, inaugura no dia 9 de fevereiro de 2026, das 15h às 17h, a exposição “Química Verde...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!